Em 1939, enquanto surgiam os primeiros HQs do Batman, a humanidade perdia um de seus maiores gênios: Sigmund Schlomo Freud (1856-1939). E, em homenagem aos 80 anos da morte de Freud, falaremos sobre a visão do pai da psicanálise a respeito do porquê das guerras. Na verdade, este texto traz recortes de ideias de diversos pensadores sobre o tema da guerra, mas estamos embasando nossas conclusões diretamente das correspondências trocadas entre dois grandes gênios: Sigmund Freud e Albert Einstein (1879-1955) presente no livro Why War. Esta troca de cartas entre eles, na verdade, ocorreu em 1932, após a Primeira Guerra Mundial (1914- 1918). Uma guerra que também foi impulsionada pela tecnologia e na qual as inovações tecnológicas causaram carnificina e devastações. O uso de aviões, submarinos, drones, gase e raios-x portáteis causaram, na Primeira Grande Guerra, a morte de milhares de pessoas.

Faltam inclusive dados confiáveis e o consenso entre os historiadores sobre os números dessa guerra que mobilizou mais de 70 países e mais de 70 milhões de soldados custando a altíssima cifra de mais de 180 bilhões de dólares, praticamente, 4 vezes o Produto Interno Bruto (PIB) dos países europeus beligerantes, que acabaram arruinados. Acreditasse que morreram entre 10 e 20 milhões de pessoas em combate, e que mais 6 milhões de pessoas foram feitas prisioneiras durante o conflito, enquanto que mais de 20 milhões de civis viveram sob um regime de ocupação apenas no ano 1915. Um total de mais de 10 milhões de refugiados se espalharam pelo mundo e 3 milhões de mulheres ficaram viúvas com mais de 6 milhões de órfãos. Mais de 1,3 bilhões de obuses de morteiro foram disparados e mais de 10 bilhões de cartas (e pacotes) entre os combatentes e suas famílias foram trocadas.

O QUE OUTROS PENSADORES JÁ FALARAM SOBRE A GUERRA?

A suprema arte da guerra é derrotar o inimigo sem lutar. Sun Tzu

As razões pela qual a humanidade ainda sofre com as consequências das batalhas e das violências, podem até não estar tão claramente definidas, mas diversos pensadores já refletiram sobre as causas e consequências da guerra e, principalmente, sobre as estratégias para vencê-la. No mundo dos negócios, muitos recomendam o clássico livro do general, estrategista e filosofo Sun Tzu (544 – 496 a. C), intitulado A Arte da Guerra.  Neste livro, lemos por exemplo que aquele que se empenha a resolver as dificuldades deve resolvê-las antes que surjam pois aquele que se ultrapassa a vencer os inimigos triunfa antes que as suas ameaças se concretizem. Será que realmente isso é possível sempre? Por sua vez, Heráclito de Éfeso via na luta entre os opostos um conflito capaz de gerar o desenvolvimento, pois, na sua visão, o que existe e o que deixa de existir, assim ocorre por conta da luta e a superação dos conflitos. Algo como pensava Quincas Borbas de Machado de Assis.

AO VENCEDOR: AS BATATAS!

“Não sei como será a terceira guerra mundial mas, certamente, a quarta será feita com paus e pedras. ”  Albert Einstein

Platão (428/427 – 348/347) tinha 23 anos quando a guerra entre Atenas e Esparta ocorreu e por diversas vezes foi um combatente. Para ele uma situação era uma guerra entre as cidades gregas e outra circunstância seria lutar contra os bárbaros. Entre os gregos a guerra teria determinadas regras e até mesmo leis para serem seguidas, mas contra os bárbaros valeria tudo para se defender. Já Aristóteles (384-322 a.C), foi mestre de um dos maiores conquistadores da história: Alexandre, o Grande. É bem possível que tenha lhe ensinado a guerrear com excelência. No entanto, tanto Platão quanto Aristóteles menosprezavam estadistas que priorizam a guerra ao invés da educação e do bem-estar de seu povo.

Espinosa (1632- 1677) escreveu que a paz não é apenas a ausência de guerra declarada, mas sobretudo que a cultura da guerra impregnou o homem de modo bem mais profundo e definitivo do que ele pode supor. Rousseau (1712-1778) escreveu, em O Contrato Social, que a finalidade da guerra é a destruição do Estado inimigo, seria um direito matar o inimigo enquanto ele tiver armas nas mãos, porém, tão logo eles as deponham e se rendam, deixam de ser inimigos e voltam a ser simplesmente homens da mesma sociedade que agora deveria preservar a vida deles. Em outras palavras, todos nós, se armados, tornamo-nos personagens da guerra ‘de todos contra todos’ a que se referiu Thomas Hobbes (1588- 1679) quando afirma que o homem é lobo do homem. Hobbes vê o Estado como um mal necessário para garantir que a barbárie não se estabeleça, ou seja, estamos mais seguros em sociedade e sob as leis. No entanto, na prática o Estado acaba sendo o braço forte do poder instituído que também mata e não nos garante 100% da segurança

Ainda assim pagamos através de impostos o Estado para nossa falsa segurança e continuamos em guerra permanente para sobreviver e manter o poder estabelecido. Além disso,  vemos, diariamente, as instituições que existiriam para servir e proteger matando injustamente (se é que possível matar justamente) os menos favorecidos que não podem pagar por sua segurança.

O QUE EINSTEIN E FREUD DIALOGARAM SOBRE A GUERRA?

Amor e trabalho são os pilares da humanidade. Sigmund Freud

Em 1931, a Liga das Nações, instituição que antecede o que hoje temos na ONU, propôs que alguns pensadores compartilhassem suas ideias a respeito da guerra. Neste contexto, Einstein convidou Freud para dialogar através de cartas sobre o tema. Freud tinha um interesse cientifico focado não apenas no indivíduo e sua subjetividade, mas também nas suas relações sociais mais amplas, isso fica evidente em livros como O Futuro de uma Ilusão de 1927 e o próprio Mal Estar na Civilização. Todavia, especificamente sobre a guerra já em 1915 a primeira seção de seu artigo Reflexões para os Tempos de Guerra e Morte se intitulava “The Disillusionment of War’. Einstein tinha uma visão otimista sobre os fatos e acreditava que a humanidade através do diálogo e do bom senso poderiam chegar ao acordo em qualquer conflito ou mesmo que poderíamos ter uma possível paz universal diante da formação de um tribunal que fosse capaz de punir excessos e até mesmo conciliar interesses entre as nações. Freud era mais realista e via inclusive que a nossa crença exacerbada na razão como uma das causas dos excessos belicosos, o exemplo maior seria o uso de tecnologias que poderiam salvar vidas como armas de guerras.

Afirmava que nessa relação entre direito e poder que Einstein embasava seu ponto de vista, o poder seria, na verdade, sinônimo de violência. Os conflitos de interesses, portanto seriam resolvidos primariamente na violência e sendo a força muscular logo substituída por instrumentos mais potentes e eficazes.  E por que Freud conclui que a lei e o direito não seriam eficazes na resolução do conflito? Simples, a lei seria instituída pelo detentor do poder e, portanto, teria mais eficácia como coerção do como promoção do bem-estar e da paz. Na sua visão, o amor e o trabalho seriam os pilares da humanidade, mas não é pela lei nem mesmo por um tribunal que alcançaríamos a paz universal. Vale lembrar que essas ideias de Freud foram um dos maiores impeditivos para lhe concederem um prêmio Nobel da Paz.

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