Como você responde hoje quando alguém lhe pergunta: O que você faz? Em que você trabalha?  É exatamente o que você dizia, quando criança, que viria ser quando crescer?

O trabalho já foi visto como uma maldição, mas também como algo que dignificaria o homem.

A palavra ‘trabalho’’ derivaria de ‘tripalium’ ou talvez da palavra ’trabicula’ (nomes em latim para instrumentos medievais de tortura). A ideia do trabalho como sofrimento e punição é antiga: Deus obriga Adão a trabalhar para se sustentar e isso foi visto, desde a antiguidade, como uma maldição. Mas, atualmente, só de estarem empregados, muitos já se dizem abençoados.

 Isso porque, vivemos numa era onde o trabalho (por conta da transformação digital) está sofrendo mudanças intensas. O impacto social e econômico disso parece ainda ser imensurável.

Quem tem buscado medir e melhorar esse impacto, por exemplo, é a ILO (International Labour Organization), que no Brasil, chamamos de OIT (Organização Internacional do Trabalho).

A OIT foi a primeira agência da ONU! Aliás, anterior a própria ONU, pois está completando 100 anos em 2019. Criada no intuito de promover justiça social através de melhores condições de emprego e renda no mundo, a OIT possui o (WESO) World Employment and Social Outlook Data Finder, um conjunto de dados estatísticos sobre a perspectivas do emprego no mundo.

Dados recentes evidenciam que a taxa mundial de desemprego permanece estável e também persistem a disparidade entre sexos: 70% dos homens estão empregados enquanto entre as mulheres são apenas 45% e o homem também recebe em média 20% a mais que as mulheres.

De fato, existem atualmente 190 milhões de desempregados no mundo e, até 2030, serão necessários criar um total de 344 milhões de postos de trabalho, até porque já são 2 bilhões de pessoas no mundo com emprego informal. Além disso, há uma queda crescente da força de trabalho dos jovens que está em pouco mais de 41%.

No entanto: no futuro, o trabalho continuará sendo o que é hoje para nós?

O que está mudando e o que permanecerá no mundo do trabalho? Quais profissões estarão obsoletas e quais novas profissões surgirão? Perguntas como estas, mostram o quanto refletir sobre o trabalho se tornou essencial hoje em dia.

O PASSADO DO TRABALHO

Da pré-história onde a humanidade vivia da coleta e da caça até a Revolução Agrícola que criou as primeiras tribos sedentárias, o trabalho da humanidade sempre esteve vinculado a sua subsistência. Vale lembrar que: foi da fabricação de utensílios primários e do desenvolvimento de técnicas para facilitar sua rotina, que nasceriam os primeiros técnicos e as primeiras tecnologias.

Porém, pensadores gregos clássicos como Homero, Platão e Aristóteles classificavam a ociosidade como algo mais nobre que o trabalho manual. Talvez porque estavam inseridos numa sociedade escravocrata onde entendiam a existência de escravos como natural e necessária: preferindo inclusive que o trabalho pesado fosse realizado por animais, mulheres e servos.

Na Roma antiga, não era diferente: o patriarcado detinha as propriedades de terra que o Estado doava conforme parentesco, mas quem trabalhava na terra era a plebe. Havia também os patrícios latifundiários e pecuaristas, enquanto o artesanato doméstico ocupava um espaço importante na rotina de trabalho de mulheres e escravos em geral.

Pouco evoluímos, na verdade, pois ainda persistem os exemplos criminosos de trabalho escravo e muitas vezes em condições insalubres: Segundo dados da OIT, mais de 2 milhões de pessoas no mundo ainda sofrem como vítimas da escravidão e, pior até do que isso, mais de 150 milhões de crianças são exploradas para determinados negócios obterem lucro.

A MALDIÇÃO DA EXPLORAÇÃO DO TRABALHO

Primeiro o trabalho, depois o prazer”

Podemos também dizer que, apenas no final do século XIX, a classe trabalhadora começa a se formar e se organizar em busca de direitos e de qualidade de vida no trabalho.  Foi nesta época que pensadores como Adam Smith, Max Weber e o, famigerado, Karl Marx publicaram suas obras sobre a relação das pessoas com o trabalho.

Adam Smith, pai da economia política, em sua teoria economia clássica e liberal, coloca duas novas ideias com relação ao homem e suas relações com o trabalho. A primeira é a ideia do trabalho como produtor de riquezas e, desta forma, ele defende o capitalismo e o livre comercio como algo essencial para melhoria da condição humana.

A segunda inovação ideológica do liberalismo econômico de Smith, está na ideia de que o vínculo social relacionado ao trabalho é feito através de um pacto social baseado na harmonia “não intencional de interesse exploratórios’.

Ou seja, a relação entre o dono dos meios de produção e os trabalhadores, assim como a relação entre cliente e fornecedor, ocorreriam em comum acordo e beneficiando todos. Inclusive a própria sociedade que produzirá riqueza e terá bens e serviços acessíveis…

Assim, quanto menor a intervenção do Estado e suas leis protecionista melhor seria a economia. Ideia que rompe com os conceitos de pensadores como Hobbes, Locke e Rousseau que viam a regulação do Estado como um “mal necessário” para o bem-estar social.

Como espectador da primeira revolução industrial, Smith vê a necessidade de proteção e salários satisfatórios para que a “mão invisível do mercado” não pese sobre o trabalhador. Essa ideia antecipa a crítica de Durkhein (ao próprio Smith) que afirmava contundente que “o trabalho à mercê apenas do mercado é fonte de anomia. ”

Já Max Weber verá uma relação direta entre a Reforma Protestante e a ideia de trabalho como algo dignificante ao homem. A ideia de ócio como ideal ou o pensamento de que ‘quem faz festa, não trabalha’; era comum na antiguidade e no regime feudal. Porém o trabalho passa a ser visto como um ‘dever divino’ apenas após a Reforma de Martinho Lutero, que se baseou na Bíblia para derrubar as heresias e práticas exploratórias da igreja medieval.

A Bíblia também cita (entretanto repudia) uma doutrina que ganha cada vez mais adeptos no mundo atual do trabalho: a doutrina dos “nicolaítas’, do herético Nicolau. Nikolaos da palavra Nike: vitória. Nike para os gregos era uma deusa alada que traria a vitória aos maiores, mais fortes e mais velozes.  A doutrina dos “nicolaítas” prega a ideia de que temos que ser ‘vitoriosos’, ou seja, precisamos ser cada vez mais prósperos para sermos felizes e “vencer na vida”.

Por sua vez, Karl Marx irá criticar o capitalismo que tanto cresceu com ideias como a de Nicolau, Smith e Weber. Marx traz os conceitos de mais valia, alienação e a relação das pessoas com os meios de produção como pontos relevantes para se explicar a situação da classe trabalhadora.

Todavia, a teoria marxista apresenta dificuldades em solucionar na prática os problemas  econômicos e sociais evidenciados, muito deles estão persistindo até os dias atuais.  Vale lembrar que apenas 1% da população mundial concentra metade das riquezas e no quesito desigualdade: Brasil, Índia e Oriente Médio ocupam o pódio.

A BENÇÃO DA REALIZAÇÃO DE UMA OBRA: TRABALHO DO FUTURO E FUTURO DO TRABALHO

O fracasso de qualquer nação em adotar condições humanas de trabalho é um obstáculo no caminho de outras nações que desejam melhorar as condições em seus próprios países”. Constituição da OIT

O trabalho consiste na aplicação de nossas competências a um processo produtivo, portanto, viabiliza a sobrevivência e a realização; assim como evidencia nossos limites de poder e domínio frente a natureza. Nossa visão sobre o trabalho muda ao longo da vida e a ideia de fazer uma carreira ou realizar uma obra faz parte da nossa realização e satisfação pessoal.

O trabalho como realização vai além da ideia do trabalho como meio de sobrevivência e começa com nossa aplicação do trabalho como melhoria da nossa condição e também com a descoberta do chamado que, em geral, a vocação e o propósito profissional imputam na condição humana.

Em certa medida, a relação do homem com o trabalho é sua própria relação com o mundo.  Explico: é através da produção que realizamos em nosso trabalho que nos identificamos no mundo e esse mundo transformado pelo trabalho nos mostra quem somos.

Refletir sobre o futuro do trabalho é refletir sobre a experiência de ser empregado, patrão ou prestador de serviço, sermos artesões, produtores, vendedores e consumidores de diversos frutos do trabalho, obras ímpares e verdadeiras da nova realidade que se apresenta a todos nós.

O TRABALHO NOS DIAS DE HOJE

No momento atual, somos levados a nos questionar sobre o nosso papel frente o trabalho. Buscamos a benção da realização de uma obra, mas temos o receio de sermos serviçais das máquinas ou das grandes corporações.

Um artigo recente do IPEA apontou que 54,5% dos empregos formais correm o risco de serem automatizados até 2026 no Brasil (por serem meramente repetitivos e rotineiros). Por sua vez, o mesmo artigo afirma que trabalhos que dependem da criatividade e análise crítica, ou, qualquer ocupação profissional, onde o toque humano faz realmente a diferença, serão cada vez mais valorizadas nos próximos anos. 

O mundo onde a tecnologia vem transformando o trabalho, tornou tudo volátil, incerto, complexo e ambíguo. Isso exige profissionais com conhecimento e com propósito, verdadeiros realizadores de uma missão e construtores de si mesmo, de seu legado e de sua obra.

As relações fluidas da pós-modernidade se caracterizam pela agilidade das mudanças que são hoje as protagonistas das novas tendências de comportamento através do entendimento e reposicionamento frente à um mundo em transição.

A alternativa para garantir melhores condições de emprego e renda ainda passa pela busca  (cada vez mais urgente) por mais conhecimento e qualificação, principalmente no que diz respeito a novas tecnologias e é exatamente isso que a MDtraining está oferecendo atualmente para os profissionais da indústria que estão passando pelas transformações da indústria 4.0:

Falando especificamente da Industria 4.0 temos também os seguintes artigos:

 

 

Para quem quer saber mais sobre a utilização de Sistemas de Gestão online da Produção – MES e suas vantagens, sugerimos a leitura dos seguintes artigos:

 

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