Klauss Schawb, fundador do Fórum Econômico Mundial, publicou em 2016, um livro intitulado A Quarta Revolução Industrial e, logo em seguida, em 2018, escreveu um novo livro com o título: Aplicando a Quarta Revolução Industrial.

Em ambos, ele estava afirmando que o setor industrial está passando por uma revolução tecnológica que afetará toda a sociedade. E pela lógica de Schawb, com a transformação digital, a indústria será 4.0 e o mundo nunca mais será como foi um dia.

De uma forma geral, estas publicações despertaram mais dúvidas do que esclarecimentos. De fato: qual o impacto real das tecnologias emergentes na produção industrial? O que definiria que a maturidade 4.0 foi alcançada? Por onde começar? Qual caminho tomar?

Quando saímos da teoria e vamos avaliar na prática o que está acontecendo outras dúvidas surgem: boa parte da tecnologia aplicada hoje nas manufaturas, ainda é a mesma de décadas atrás ou realmente estamos encarando um novo paradigma tecnológico das máquinas e robôs industriais? Esse novo paradigma da robótica e da automação deixarão apenas máquinas fabricando os produtos?

A transformação digital dentro das fábricas (ainda que esteja em transição) se mostra impactante em vários aspectos: mas qual será o custo final disso tudo? Quais as reais oportunidades e desafios apresentados? O que restará para os atuais e futuros trabalhadores?

Nestas dúvidas também surgem os antagonistas da história, os inimigos e vilões, além de outros simpatizantes de sentimentos negativos que acabam distorcendo a realidade e o futuro desta realidade. Alguns destes sentimentos, nós iremos nomear e descrever neste artigo com o intuito de evidenciar a falta de autenticidade deles e deixar claro seu papel nessa história.

Uma história que está apenas começando a ser escrita: a história do futuro da indústria ou até mesmo do seu fim. Em uma história real que ainda está sendo escrita, vale sempre a pena dizer que haverá apenas dois lados: os que farão acontecer e os que perguntarão: afinal, o que está acontecendo?

Ou pior, perguntarão o que aconteceu quando não houver mais o que fazer para mudar a situação. Talvez por isso, seja importante pensar nisso enquanto ainda está acontecendo, correto?! Nesse ponto, cabe a reflexão sobre quais são os sentimentos que estão dominando as ações nesse período crucial da história. Neste enredo é você quem escolhe ser protagonista ou coadjuvante, pois os vilões já se posicionaram e estão combatendo com força total…

QUEM É O INIMIGO QUEM É VOCÊ?

“Eis uma charadinha para você! ” Edward Nigma Charada

Antes de dizermos quem são os inimigos da indústria 4.0, vale dizer que daria para listar dezenas deles.  Só o fato de estarmos falando da indústria já poderíamos elencar os desperdícios como “os vilões principais” dos processos produtivos e industriais em geral.

Entretanto, partindo do princípio que estamos falando de vilões da quarta revolução industrial e, não apenas dos inimigos da indústria, teremos que ser mais específicos e (paradoxalmente) mais abrangentes. Até por isso, a eliminação de desperdícios acaba sendo sim um ponto de partida essencial para determinar quem é quem nesta história.

Visto que a automação é uma consequência da padronização dos processos operacionais repetitivos e que gera otimização de tempo e de recursos, fica fácil entender porque eliminar os desperdícios torna-se premissa para qualquer investimento em tecnologia atualmente.

Dito de outra forma, a automação pode gerar otimização e redução dos custos de operação e uma das principais formas de se obter isso é através da eliminação de perdas e desperdícios.  

Assim, vemos que tecnologias voltadas para coleta e análise de dados estão tomando a frente nessa revolução, principalmente, por serem ferramentas capazes de identificar (até mesmo em tempo real) as perdas inerentes aos processos fabris.  

Os sistemas de gestão da produção em tempo real são tecnologias cada vez mais acessíveis e inteligentes. Captando diretamente das máquinas os dados que determinam os indicadores do desempenho da produção (o que garante confiabilidade e rastreabilidade) gera-se as informações sobre onde é possível reduzir perdas e desperdícios.

Contudo, quais sentimentos podem estar atrasando algumas inciativas e impedindo algumas empresas de avançar, visto que os benefícios são claros?

O MEDO PARALISANTE

“Você acha que me mete medo? Eu já conheci o medo e você não tem o sorriso dele! ” Arlequina

Bem, este lance de otimização de processos com o uso de tecnologia é sempre algo controverso diante do Medo Paralisante, principalmente, quando o retorno do investimento não foi calculado e pensado como um dos objetivos do projeto.  Ora, estamos falando da indústria, algo feito para gerar lucro, pois se a conta não fecha, ela fecha.

Nesse ponto o conhecimento torna-se essencial e, não é à toa que, na quarta revolução industrial, as empresas ágeis e inteligentes são sinônimas de inovadoras e lucrativas.

Tudo que se pensa, hoje em dia, com relação a tecnologia ou gestão de projetos passa pela ideia de inovação e melhoria de processos. Todavia, se faz necessário conhecer os possíveis caminhos para se chegar lá.

Diversos modelos estão sendo desenvolvidos para que as empresas criem Confiança na entrega e na eficiência de seus processos, a Confiança é arqui-inimiga do Medo mas carrega como vantagem o fato de que nunca perdeu nenhum round.

A TRISTE INVEJA DA INOVAÇÃO

“Eu acho a sua falta de fé perturbadora. ” Darth Vader

Aos que pensam que imitar a concorrência vai ajudar a se manter dentro do negócio ou mesmo para aqueles que acreditam nos modelos de gestão tradicionais. E, até mesmo para os que, no passado, foram certificadas por sua excelência operacional, um aviso aos navegantes: não entrem na barca furada de se comparar aos “padrões” e copiar “boas práticas de inovação. ”

Uma coisa são as boas práticas, algo como hábitos e costumes capazes de lhe guiar para um destino menos arriscado, todavia negócios em momentos de crise (assim como a vida) se assemelham ao próprio caos.

Não há como fazer inovação verdadeiramente se ficar apenas copiando “cases consolidados”.

No entanto, a ideia que está por traz da inveja da inovação, diz respeito a identificar uma “nova tendência” (relacionada muitas vezes a um avanço tecnológicos) e, só para não ficar para traz, desejar a “novidade” sem validar a relação entre os benefícios e o impacto no processo.

Gestão da Mudança e até mesmo Inovação da Gestão acabam se tornando os superpoderes essenciais para se derrotar a vileza da Inveja da Inovação e suas tristezas.

A RAIVA DOS LUDISTAS CONTRA A TECNOLOGIA

“Nós deixamos de procurar monstros embaixo da cama quando percebemos que eles estão dentro de nós. ” Coringa

Um dos sentimentos que ainda está presente hoje em dia e pode ser entendido como inimigo da quarta revolução industrial é a própria aversão aos avanços tecnológicos. Vemos claramente defensores desta prática quando de alguma forma a evolução da tecnologia pode afetar os empregos das pessoas por exemplo.

Lá na primeira revolução já haviam os que pregavam uma corrida contra as máquinas, uma luta contra a tecnologia que roubaria os empregos de trabalhadores. Ironicamente quem quebrava as máquinas eram operadores das máquinas. De fato, a automação tem proporções maiores dos que os primeiros teares ou maquinários que passaram a substituir operários na indústria. 

Em vários setores isso vem acontecendo desde que a indústria é a indústria e em grande medida sua evolução e desenvolvimento ocorre inclusive por conta disso. É inútil, portanto lutar contra determinadas mudanças é mais fácil se adaptar e ver as oportunidades que estão surgindo

A EXCESSIVA ALEGRIA DA CONFIANÇA NA SALVAÇÃO TECNOLOGICA

“ Nossas cicatrizes têm o poder de nos fazer lembrar que o passado foi real. ” Hannibal Lecter

Um contraponto em todos os sentimentos anteriores que também estão se opondo as inovações apresentadas com a chegada da quarta revolução e a elevação da indústria ao patamar 4.0, seria o excesso de confiança de acreditar que apenas a tecnologia (por si só) irá realizar a revolução.

No dia a dia, são as pessoas em seus processos que estão fazendo essa revolução a cada nova tecnologia que chega, a cada inovação na comunicação e no modo de aprender ou mesmo de se transportar até o trabalho, tudo isso tem feito parte desta revolução 4.0.

Contudo a forma positivista como a tecnologia acaba sendo visto hoje também requer cautela. A tecnologia é e sempre uma mera ferramenta. Até por isso o cuidado em seu manuseio requer habilitação, ou seja, desenvolver a habilidade para se tirar o melhor de cada recurso.

 

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