Em meio a um cenário de incerteza, o Brasil comemora uma grande conquista: A John C Marsden Medal, foi concedida pela Linnean Society of London – a mais antiga sociedade de estudo de história natural do mundo –  pela primeira vez a uma latino-americana. Trata-se da bióloga, Thaís Vasconcelos, brasiliense de 29 anos e sua tese de doutorado contraria Darwin!

Explico: após ter mapeado a relação do formato das flores com as abelhas responsáveis pela polinização, foi possível concluir que, em 40 milhões de anos, havia poucas evidencias de mudanças contrariando a tese evolucionista.

A notícia que correu rápido pelo cyberespaço foi a da premiação, e gerou milhares de reações e comentários, a maioria deles positivos, é claro.

Coincidentemente, o anúncio da premiação foi correlacionado com a semana da Mulher, período no qual relembramos a luta de mulheres operárias e o incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist, que matou 125 trabalhadoras há 108 anos e se tornou um marco na luta pela igualdade de direitos e condições.

Muitos associaram o feito de Thaís à data, mesmo que a premiação seja de 2018, há sim correlação. Mas, alguns se equivocaram em suas homenagens, afirmando, entre outras coisas que “agora mulheres são capazes de seguir a carreira científica e realizar descobertas importantes”. A frase estaria correta, se não fosse por uma palavrinha. Esse “agora” não deveria estar ali.

As mulheres sempre foram capazes de ambos os feitos. O problema é que essa é mais uma história que quase ninguém se deu ao trabalho de contar.

O que é realmente uma pena, pois todos deveriam saber que sem a contribuição das mulheres, o panorama científico e tecnológico atual seria muito diferente. E estaríamos muitos passos atrás em nosso desenvolvimento.

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