Atualmente, a relação entre Filosofia e Tecnologia andam tão distantes que muitos não se lembram mais que a Matemática, a Lógica e as Ciências eram áreas de interesses dos filósofos clássicos e modernos.

Talvez se começarmos afirmando que a Filosofia é também mãe das Ciências, fique mais fácil para evidenciar: porque a Filosofia é mãe da Tecnologia. Porém, antes de validarmos esta hipótese, vale dizer, qual a importância das relações entre Filosofia e Tecnologia que estamos propondo neste artigo.

Neste artigo vamos contar a história-não-contada da Filosofia como mãe das Ciências e das Tecnologias. Apesar de não estar tão evidente, hoje em dia, a maternidade da Filosofia, veremos que a Filosofia é uma mãe que nunca abandona os filhos, mas não podemos dizer o mesmo dos filhos.

Os fatos e ideias aqui narrados não serão apenas um resgate histórico, mas uma reflexão rápida sobre os desdobramentos que o impacto tecnológico no modo de viver das pessoas e na nossa relação com a Filosofia e a Ciência tem se alterado.

Afinal, ao buscarmos uma resposta sobre as origens e causas da Tecnologia também estamos buscando as formas pelas quais os avanços tecnológicos ocorrem; e isso também vem fazendo parte dos campos de estudo da Filosofia.

E, a relevância em determinar de que forma uma nova tecnologia se origina e se desenvolve pode determinar o próximo nível de realização da nossa inteligência.

 FILOSOFIA COMO MÃE DA CIÊNCIA

Trocava toda minha tecnologia por uma tarde com Sócrates. Steve Jobs

 

Desde dos primórdios da Filosofia a relação com ciência e tecnologia estavam sempre bem próximas. Tales de Mileto foi um dos primeiros a fazer experimentos com eletricidade, ele era contemporâneo de Anaximandro que com o conceito de latitude e longitude criou as bases para o nosso atual GPS.

Podemos citar Arquimedes e Herón de Alexandria que usavam os conhecimentos de geometria e uma primitiva ciência experimental para criar objetos altamente tecnológicos para a Antiguidade.

No entanto, a melhor forma de demostrar a maternidade da Filosofia frente as Ciências é citando Aristóteles. O filósofo de Estagira detém a paternidade de quase todas as ciências: a Física, a Biologia, e até mesmo a Lógica.

 A filosofia aristotélica permeou toda ciência medieval que, apesar de obscura, criou tecnologias como: os relógios mecânicos, os óculos, as prensas, os moinhos e os astrolábios, além das primeiras cafeterias, livrarias públicas e universidades.

Na Renascença, Galileu Galilei uniu Filosofia, Matemática e Física para descrever e pensar o mundo. Entre outras tecnologias, ele criou o termômetro, a balança hidrostática e a luneta que revolucionou a forma como a humanidade enxergava o universo, transformando a visão do homem sobre si mesmo.

 As descobertas de Galileu são as bases da teoria gravitacional de Sir Isaac Newton outro célebre exemplo de filósofo cientista. Princípios Matemáticos da Filosofia Natural de 1687 é considerada uma obra prima da História da Ciência e da Filosofia que, na época, praticamente não tinham distinção entre si.

 De fato, até o século XVII, qualquer cientista era também filósofo, pois os físicos e matemáticos, biólogos e químicos, ou seja, os que hoje chamaríamos de cientistas, até aquele momento, eram também filósofos.

Uma das revistas científicas mais antigas do mundo data sua estréia desta época, mais precisamente do ano de 1665. Seu nome: The Philosophical Transactions of the Royal Society, ou Phil. Trans. A palavra Philosophical no seu nome é derivada da expressão natural philosophy (filosofia natural), que naquela época era utilizada para denominar o que hoje chamamos de ciência.

FILOSOFIA MÃE DA CIENCIA E, PORTANTO, DA TECNOLOGIA!

A ciência de hoje é a tecnologia de amanhã. Edward Teller

Foram os filósofos inclusive que inventaram e praticaram primeiramente o método científico, assim como a lógica e o encadeamento silogístico do raciocínio filosófico, até hoje, fazem parte também do que identificamos: ciência.

A linha de fronteira entre ciência e filosofia parece não existir no que se refere aos objetivos e instrumentação, elas parecem ser idênticas na busca pela verdade. Assim como é notória a interdependência entre ciência e tecnologia.

Até por isso afirmamos que a Filosofia é mãe das Ciências e das Tecnologias pois ambas têm na Filosofia a mesma origem e formação. Além disso, a Filosofia está sempre avaliando e validando tanto a Ciência quanto a Tecnologia.

Seja através da Epistemologia, da Ética, da Filosofia da Ciência (ou pela mais recente Filosofia da Tecnologia) as preocupações com as questões sobre as origens e os determinantes dos avanços tecnológicos tem interessado cada vez mais aos filósofos.

PÓSMODERNIDADE: CONHECIMENTO PRODUZIDO PARA SER VENDIDO.

Tornou-se chocantemente óbvio que a nossa tecnologia excedeu a nossa humanidade.

Albert Einstein

 

Cronologicamente, é no pequeno racionalismo do século XIX que pouco a pouco as especialidades científicas estariam se emancipando da Filosofia; e quanto mais pragmática e progressista ficava, menos especulativa e contemplativa se tornava. O ápice desta ruptura viria no século XX.

Com todo avanço tecnológico exponencial das últimas décadas, cientistas como Stephen Hawkins, por exemplo, chegaram a declarar a morte da filosofia, pois, a ciência (em si mesma) bastaria como respostas aos anseios e questionamentos humanos e, desta forma, a Filosofia ficaria em sua torre de marfim teórica e distante da realidade de nosso cotidiano.

No entanto, como já foi dito, a Filosofia voltou a ser valorizada e se interessar em como a Tecnologia e a Ciência estão evoluindo na pós modernidade.

Na obra do filósofo Jean-François Lyotarde intitulada “A condição pós-moderna” aparece pela primeira vez a ideia que o maior impacto da relação Filosofia, Ciência e Tecnologia ocorre no fato de, em nossos dias, o conhecimento ser produzido para ser vendido. Uma determinante em nossa condição (ou não) de alterar a natureza em nosso favor ou um limitante nas realizações e experiências.

Talvez por que o que determina atualmente o grau de desenvolvimento e riqueza de uma pessoa, empresa ou nação não é apenas o nível de tecnologia (informações e conhecimentos) que se têm acesso. Acima de tudo, é a inteligência para se tirar benefícios da tecnologia que tornou-se o maior valor.

Existem diversas questões envolvidas nos questionamentos que colocam a evolução do pensamento sendo determinada pela tecnologia, contudo, isso ocorre menos (até) do que com o contrário, que é analisar como o pensamento é capaz de determinar os avanços tecnológicos.

Explico: de uma forma barata, hoje temos acessos a todo qualquer tipo de informação através da internet. Pode-se até dizer que acessamos também diversos conhecimentos, mas é a inteligência que está por trás do uso da tecnologia que irá determinar o resultado que uns terão a mais do que outros.

Assim, a inteligência no mundo atual se tornou algo mais importante e muito mais valorizado do que são as informações e os conhecimentos juntos.

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