“O público que se dane. Eu trabalho para os meus acionistas.”
William Vanderbilt

A palavra “ética” vem do grego “ethos” e significa, de forma simplificada, “comportamento”. No entanto, no ideal grego de civilização, esse “comportamento” não se refere apenas a uma ‘forma de viver’, ou a um ‘conjunto de hábitos e costumes’. A ética, para o homem helênico clássico, pertencia ao “bom costume”, ao “costume superior”, sendo portanto um atributo do cidadão possuidor de caráter, prudência e sabedoria.

Com efeito, o comportamento ético surge quando a razão e a lógica lapidam nossos extintos, temperamentos e vontades buscando cultivar virtudes e eliminar vícios na busca por uma vida justa e feliz, a qual todos somos destinados por natureza. A ética como estudo também abrange a reflexão sobre o propósito e o sentido de nossa missão de vida, bem como os valores e princípios que nortearam nossa conduta na realização deste propósito.

Também é nesse ponto que a ética se diferencia da moral, justamente por conta dessa independência do costume que se funda na tradição. Enquanto a tradição e o hábito originam-se na noite dos tempos, e são repetições de padrões que não necessariamente seguem sendo úteis ou necessários, a ética, ao contrário, busca fundamentar as ações morais, exclusivamente, pela razão a fim de que sejam justas e boas.

NA MORAL, O QUE ÉTICA?!

“Ética nasce quando se passa a indagar o que são, de onde vem e o que valem os costumes.” Marilena Chauí

Há cerca de 2,5 mil anos atrás, uma revolução estava em curso nas ilhas gregas. Cidades-estado prosperavam impulsionadas por redes comerciais extensas, que intercambiava produtos, conhecimentos e novas práticas culturais. Diante de tanta diversidade de costumes, era necessário estabelecer regras gerais de comportamento, que fossem além da tradição regional, e pudessem ser compreendidas e praticadas por todos.

Como tudo surgido na Grécia Clássica, o conceito de ética terminou por ser absorvido pela civilização romana, que foi o início do que hoje chamamos “mundo ocidental”. Da idade média à era contemporânea, o “ethos” grego esteve presente como valor comportamental que nortearia as ações e relações dos ocidentais. Especialmente após as revoluções liberais dos séculos 18 e 19, que procuraram resgatar a ética em sua forma pura. 

Entretanto, junto com as luzes do iluminismo, começavam a surgir os primeiros empreendimentos genuinamente industriais, e com eles, eles alteram-se as relações de trabalho e o (ethos) modo de vida das pessoas. As cidades passaram a ser realmente grandes centros manufatureiros, e as indústrias nascentes passaram a ver a ética mais como um incômodo que como algo pelo que prezar.

A ÉTICA REVOLUCIONA O MUNDO CORPORATIVO.

“Competência, Transparência, Ética e Eficiência derrubam qualquer muralha.” Eike Batista

Sob a ótica dos industriais de eras passadas, valia quase tudo para obter lucro (e nunca nos esqueçamos que era um tempo em que mesmo as mais avançadas máquinas dependiam diretamente do componente humano): jornadas de trabalho que hoje consideraríamos inaceitáveis era prática comum, assim como o uso de mão de obra infantil e a exposição a condições sub humanas de trabalho. A herança do feudalismo e dos regimes escravocratas era ainda por demais presente nas relações trabalhistas.

Todavia, a ética milenar havia fincado raízes fortes na mente do trabalhador ocidental, e a reação ao que consideravam – com razão – um regime antiético e desumano passaram a dar o tom das relações de trabalho. Greves e protestos ameaçavam parar a máquina industrial, e os empresários começaram a ver que precisavam ceder. Não por humanismo, mas por necessidade. A partir daí, os direitos trabalhistas, e com eles uma visão inovadora das relações inter empresariais, ou seja de uma empresa com suas concorrentes, passam a ser vistos com maior cuidado. Mas ainda era apenas o começo.

Com a industrialização, avança também a ciência, não apenas em seus campos práticos, mas também em arcabouços teóricos como a filosofia, a psicologia e a antropologia. Descobertas importantes passam a mostrar o ser humano cada vez mais próximo ao antigo ideal grego, o qual pregava que poderíamos alcançar o melhor de nós através do bem viver e do autocuidado.

Passam a surgir evidências de que um bom tratamento dos empregados aumentava a produtividade, e a ética nas relações trabalhistas começa a ser assunto de grande importância, motivando reformas legislativas e a criação de entidades para organizar trabalhadores e reivindicar direitos. Ao mesmo tempo, o consumidor começa a ser visto como alguém que tem escolha, e não apenas necessidades.

ÉTICA: ESSENCIAL NOS NEGÓCIOS

“Responsabilidade Social Corporativa é fonte de Oportunidades, Inovação e Vantagem Competitiva”. Michael Porter

A partir daí, o comportamento ético por parte das empresas começa a se tornar fundamental, uma vez que estas passam a ser vistas como entidades da sociedade civil, passíveis de regulamentação e que corriam sério risco de perecer, caso se comportassem em desacordo com as expectativas de seus empregados e consumidores. As concorrências desleais, os cartéis, a exploração de mão de obra… o que antes era cotidiano passa a ser visto como crime.

Com o crescimento econômico e demográfico, o extrativismo e a exploração do meio ambiente também entram em pauta, e consolida-se de uma vez por todas a necessidade de um comportamento ético aliado aos objetivos de lucro e crescimento sustentável. A ética se torna um ativo de valor em si, indispensável para o sucesso de um empreendimento.

No momento atual, os desafios se reafirmam e se renovam, e a importância da ética aumenta ainda mais, a ponto de tornar-se essencial. O advento da era da informação colocou os “reis nus”, e a transparência não é mais uma escolha, e sim uma necessidade. O comportamento ético e transparente, entre a empresa e todas as partes interessadas em sua cadeia de valor – clientes, colaboradores, fornecedores, sociedade, acionistas –será cada vez mais requisitado nas empresas públicas e privadas. Essa importância cresceu principalmente com o surgimento, na década de 80, do conceito de horizontalidade, reduzindo as hierarquias e dando mais autonomia aos colaboradores.

Foi a partir desse ponto inclusive que a ética empresarial como prática e disciplina começou a tomar corpo. A ética empresarial como prática e disciplina é algo recente mas ocupa uma posição peculiar no campo da ética “aplicada”. Nesse curto espaço de tempo, a ética empresarial evoluiu muito, deixando de ser uma mera revisão da teoria ética sobre ‘a prática de lucrar de forma justa’ para um ‘exame crítico construtivo das práticas de dentro e fora do mundo corporativo’.

Entre as maiores contribuições da ética empresarial podemos citar a promoção das práticas de valorização das pessoas, sustentabilidade e responsabilidade social que realmente hoje em dia são o que determinam a sobrevivência dos empreendimentos empresariais. Assim, concluímos que a ética é essencial hoje e sempre por uma razão muito simples e clara: não há como sobrevivermos sem ética!

Para saber mais sobre ética, filosofia, lógica e racionalidade, bem como sobre a aplicação e utilidade destas disciplinas no mundo dos negócios, acesse nosso blog, e divirta-se com uma coleção de textos!

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