O objetivo máximo de qualquer empreendimento é, invariavelmente, o lucro. Seja esse lucro calculado em termos de capital financeiro ou social, ele é o fim último de qualquer empresa, e com a indústria, não poderia ser diferente. Processos industriais visam o lucro, que está sempre atrelado à eficiência com a qual estes processos são executados. No passado, estes processos dependiam unicamente da mão de obra humana, e os produtos de uma indústria estavam sujeitos a uma série de variáveis indesejáveis para quem pretende produzir de modo ótimo: defeitos, imprecisões, quebra de padrão… E isso para não falar do custo elevado que se tem ao produzir apenas com mão de obra humana, uma vez que pessoas não são, e nem podem ser, iguais às máquinas em termos de rapidez, eficiência e ritmo de trabalho.

Com o passar do tempo, isso mudou gradativamente. Máquinas simples passaram a ser utilizadas, aumentando a qualidade dos produtos, dando a eles um certo padrão e extendendo sua durabilidade. Chega a ser prosaico, hoje em dia, pensar na revolução representada por uma chave e um parafuso, mas é preciso ter em mente que estes avanços foram o que possibilitou o surgimento de outras tecnologias, todas aplicadas a um fim comum: aumentar a produtividade, diminuir as perdas, aproveitar melhor a matéria prima e padronizar a produção. Porém, enquanto os humanos do passado criavam mais e melhores máquinas, eles também se ocupavam em opera-las. E em sistematizar a produção. Máquinas, como se sabe, são eficientes, não faltam ao trabalho, produzem mais e com maior velocidade… Mas são incapazes, em primeira instância, de operar e gerir a si mesmas. Por isso, é correto afirmar que junto da máquina nasce o sistema. A evolução de ambos é concomitante e intrínseca, seja qual for o período histórico que se observe.

Assim, as máquinas e seus operadores, bem como os gestores destes operadores, tiveram uma existência colaborativa e razoavelmente equilibrada durante um longo período da história. Um período no qual todos atribuíam importância igual, ou ao menos semelhante, a todos os constituintes de uma “linha de produção”. Contudo, em um dado momento, entre o ocaso do século 18 e o alvorecer do século 19, a primeira revolução industrial elevou a máquina ao status de componente mais importante de uma operação industrial. Tornou-se óbvio para todo empreendedor, que mais máquinas eram sinônimos de mais produção, aumento de qualidade e economia de tempo. Mais e melhores máquinas. E, após 15 mil anos de relação equinanime entre as máquinas e os homens que as criavam, surge a crença, e consequentemente o temor, de que o futuro do homem enquanto trabalhador e produtor de bens e gerador de riqueza estavam em jogo. O ser humano poderia, dentro em breve, ser completamente descartado do processo produtivo industrial. Mais máquinas, mais máquinas, mais tecnologia e máquinas cada vez mais avançadas. Descobrimos que é essa a receita para tornar nossa produção mais competitiva, eficiente e lucrativa.

É uma certeza nas mentes de todos os que participam da cadeia produtiva industrial: invista em máquinas – de preferência as mais atuais e eficientes – e você terá o diferencial necessário para competir em um mercado cada vez mais povoado de “players” capazes e agressivos.  Nós não estamos aqui para questionar esse crença, que é, em última instância, verdadeira. Estamos aqui para propor uma mudança de olhar, ou melhor, para apresentar um ponto de vista complementar ao de que mais máquinas garantem mais qualidade, eficiência e produtividade. Portanto, o título desse artigo deve ser visto não como uma afirmação de que sistemas são melhores que máquinas, mas sim, de que o foco do empreendedor industrial não deve estar, exclusivamente, no investimento em maquinário, mas também na aquisição de sistemas que possam auxiliar no gerenciamento dessas máquinas – e consequentemente de seus operadores, produtos e processos.

Máquinas por si só não são capazes de diminuir perdas, aumentar a produção e garantir a eficiência e a excelência de uma operação.

Isso se dá por uma simples razão: elas estão sujeitas a seus operadores, manutentores e processistas todos estes humanos. E estes, sendo passíveis de falhas, por qualquer que seja a razão, trazem ao universo automatizado as mesmas variáveis a que estão expostos. Mesmo em operações completamente automatizadas, não basta colocar o maquinário para funcionar. É necessário que se adquira a consciência de que o investimento em equipamento de última geração venha acompanhado do investimento (em grau igual ou até maior) em sistemas que visam gerir a produção, calculando perdas e otimizando processos.  E além: não só investir em sistemas, que tampouco são uma garantia de excelência por si, mas também em treinamento dos responsáveis por operar esses sistemas ou gerir quem os opera.

Portanto, longe de minimizar a importância da tecnologia e do maquinário moderno, estamos aqui, mais uma vez, propondo uma mudança de pensamento, mostrando a vantagem de deixar a lógica hierárquica de lado, e parar de sobrepor a máquina ao operador e ao sistema. Enxergar menos a máquina por si só enquanto garantia de eficácia na operação industrial, mas como peça de uma engrenagem que é composta de mais que apenas um fator. Pedir menos máquinas e mais sistemas significa, em última análise pedir que se compreenda que o foco do empreendedor deve ser holístico, amplo e, acima de tudo, tão intuitivo quanto racional.