O termo Industria 4.0 deriva da ideia de que estamos caminhando para quarta revolução industrial. Muitos se surpreendem, ao lembrar que só aprenderam sobre a primeira (e até então única) Revolução Industrial. Todavia, a ciência e as revoluções científicas/tecnológicas são sempre a mudança de um paradigma, ou seja, de como interpretamos as evidências.

Qualquer professor de história irá lhe dizer que a primeira revolução industrial se iniciou na Inglaterra no século XVIII. Afirmam que as principais causas desta revolução foi a ganância burguesa por mais lucro mercantilista e por conta da abundância de lã, carvão e ferro dos ingleses.

Relacionam a desastrosa ‘lançadeira volante’ de John Kay (de 1733) com o tear mecânico de Edmund Cartwright (de 1785) e a máquina a vapor “aperfeiçoada’ por James Watt (1765) com a locomotiva a vapor de Richard Trevithick que fez seu primeiro percurso em fevereiro de 1804.

Porém, vale lembrar que a primeira máquina a vapor, a eolípila, foi inventada no século 1 por Heron de Alexandria. Serão as máquinas e as tecnologias que fazem a revolução ou o desejo humano de ser único, exclusivo e especial, de ser mais do que apenas mais um no meio da massa?

A HISTÓRIA NÃO CONTADA DO ESTOPIM DAS REVOLUÇÕES INDUSTRIAIS

Poucos contam que Kay teve que fugir da Inglaterra para não ser morto pelos ludistas, que Trevithick morreu pobre no Peru e a patente do revolucionário tear mecânico de Cartwright lhe rendeu só 10 mil libras, pouco mais de 45 mil reais: menos que 1 bitcoin valia no final de 2017.

Os melhores professores de história irão ensinar sobre a ‘lei dos cercamentos de terra’ ou mesmo da massa de camponeses que só conseguiam empregos nas novas fábricas (workhouses).

 Contudo, os pobres proletários assalariados também queriam consumir o mesmo chá que até então era exclusividade da rainha e sua família. E se possível na mesma ‘porcelana real’ (lógico!).

Sentir-se especial e diferente: Talvez o maior desejo dos seres humanos ao longo das eras tenha sido sentir-se não apenas original, mas ser O único.

E este pode ser o real estopim de todas as revoluções industriais. Dentro e fora do chão de fábrica. Pois a indústria sempre otimizou seus processos para atender esta demanda de exclusividade.

Seja com métodos de ‘set-up rápido’ e os projetos de melhorias contínua garantindo melhores custos e máxima qualidade, seja com a automação e as inovações disruptivas atuais para atender os requisitos e exclusividades do cliente, é o Homem que fez (e faz) a indústria evoluir.

Apesar de sermos, em diversos aspectos, singulares, quando é hora de mostrar ao outro nossa singularidade, não bastam nossas características físicas e emocionais ímpares. É preciso comunicar que somos especiais, e essa comunicação varia com o tempo e a ocasião.

Do homem pré-histórico que exibia seu colar com garras de urso para deixar claro o quão forte era ao empresário que encomenda um terno exclusivo no melhor dos alfaiates, ou uma jóia única e personalizada para sua esposa (também exclusiva e especial), o que varia é a forma pela qual demonstramos a força da nossa individualidade.

No entanto, até recentemente, ostentar individualidade era algo para poucos, fosse para o grande caçador capaz de derrotar feras poderosas ou para o executivo que demonstra seu sucesso com roupas caras e peças exclusivas. Era preciso ser alguém de destaque, e, invariavelmente, de grande poder, um poderio competitivo que evidenciasse a supremacia.

NOVOS PARADIGMAS PARA UMA MULTIDÃO DE SINGULARIDADES

Ser visto como único era algo para poucos, embora desejado por todos. Por isso, a necessidade de ser maior, mais forte, mais rápido e, portanto, melhor pode ser entendido como o mesmo paradigma de exclusividade. (Falamos disso em nossa série sobre Excelência Operacional)

Contudo, será que isso muda com a quarta revolução industrial e suas inovações tecnológicas?

A revolução industrial foi revolucionária não apenas pelas novas tecnologias mas porque através dela (ou delas) vimos nascer uma das sociedades mais individualizadas de todos os tempos, principalmente, por que hoje em dia ser especial se tornou algo mais acessível.

Desde itens feitos pelas próprias pessoas até outros, mais sofisticados, a afirmação da identidade é a regra do jogo. A produção em massa satisfez os consumidores por décadas. Roupas e outros acessórios passaram a ser produzidos em tal escala, que não é raro que se encontre mais de uma pessoa vestindo a mesma peça de roupa em uma caminhada pela rua.

Ainda assim, grandes milionários exibem seus modelos exclusivos, demonstrando poder e recursos. Pois estes elementos são necessários para quem queira exibir sua individualidade. Desta forma, do hipster ao yuppie, a exclusividade também se tornou uma multidão de singularidades.

CUSTOMIZANDO EM LARGA ESCALA

Para bens e serviços de massa, a customização parecia um sonho impossível, e a produção em massa garantia conforto, mas padronizado. No entanto, a revolução tecnológica é irrefreável, e em mais um ponto, a tecnologia tornou-se um diferencial sem precedentes.

O marco desta nova revolução ocorreu recentemente, em 2015, quando a Adidas trouxe uma das primeiras linhas de montagem futuristas do mundo. Uma fábrica que mesclava a produção em larga escala com a customização do produto produzido.

Surgia a Customização em Massa (CM): uma vertente da produção em massa de bens e serviços, com um importante diferencial: atender aos anseios específicos de cada cliente com custos semelhantes aos dos produtos não customizados.

Finalmente, era possível obter produtos únicos a baixo custo e com prazo de entrega relativamente curto, em um ambiente de produção em massa. Ou seja, fabricar produtos individualizados em linha de montagem. Simples – e revolucionário – assim.

Atendendo à demanda de uma sociedade cada vez mais voltada para o indivíduo, a CM é uma evolução natural dos processos de negócios, que se origina através do aperfeiçoamento dos padrões tradicionais de organização de processos que possibilitou aumentar significativamente a flexibilidade e agilidade da produção.

PRODUZINDO PARA O PÚBLICO, SATISFAZENDO INDIVÍDUOS

Graças à tecnologia podemos contar com altos índices de qualidade e exclusividade, ao mesmo tempo com custos competitivos. Parece simples, mas uma empresa capaz de customizar todos os seus produtos para cada um de seus clientes necessita de uma estrutura de grande complexidade.

É preciso aprender projetar produtos especializados de maneira eficiente e aprender a produzir tais produtos de modo barato e rápido. O aprendizado antes obtido através do alto investimento em pesquisa e da contratação de profissionais detentores do expertise necessário hoje pode estar disponível e acessível gratuitamente na web.

Assim como a big data, os robôs compartilhados, além das redes neurais de inteligência artificial ou a evolução de algoritmos através de machine learning são as grandes armas da quarta revolução industrial e teremos um artigo exclusivo para tratar desse tema aqui em nosso blog.

Por ora, basta frisar que para baratear e dinamizar a produção, recorre-se ao tradicional paradigma da produção em massa, em outras palavras, não há otimização sem padronização.  

Definir o sequenciamento mais eficaz dos processos, eliminando os gargalos e principalmente melhorar a eficiência e excelência dos processos eliminando perdas e aumentando o OEE ainda é a melhor estratégia das empresas que enfrentam a de frente a quarta revolução industrial.

 A grande diferença é que hoje a tecnologia é nossa aliada e sistemas estão cada mais modernos para facilitar a gestão e otimização dos processos industriais.

Quer saber por onde começar? Entre em contato conosco e agende uma apresentação:

Quer saber mais sobre sistemas de gestão da produção?

Então leia  QUAL A IMPORTÂNCIA DE UM MANAFACTURING EXECUTION SYSTEM ou mesmo nosso último artigo: COMO OBTER OS MELHORES RESULTADOS DE UMA SOLUÇÃO MES?

Deixe nos comentários sua opinião sobre artigos e sobre temas que você quer ler em nosso blog!

LEIA TAMBÉM OS ARTIGOS:

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E AUTOMAÇÃO NO PARADIGMA DA INDUSTRIA 4.0

PRA QUE(M) SERVE A INDUSTRIA 4.0

SUA EMPRESA ESTÁ PRONTA PARA INDUSTRIA 4.0

INDUSTRIA 4.0: MENOS MÁQUINAS MAIS SISTEMAS

GESTÃO DE PESSOAS NA INDUSTRIA 4.0

INDUSTRIA 4.0: O QUE É E COMO SE PREPARAR?

BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA

A ESTRUTURA DAS REVOLUÇÕES CIENTÍFICAS de THOMAS S. KUHN

A QUARTA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL de KLAUS SCHWAB

A TERCEIRA ONDA de ALVIN TOFFLER