O paradigma da 4ª Revolução Industrial – ou Indústria 4.0, é tema de imenso interesse entre todos os setores, seja por desconhecimento e dúvidas quanto ao que está de fato acontecendo ou por interesse direto em seus benefícios comprovados. Contudo, quando se fala em Indústria, a primeira associação que a maioria das pessoas tende a fazer é com o impacto das práticas industriais arcaicas no meio ambiente e consequentemente na qualidade de vida das pessoas que dele dependem. É compreensível que assim se pense, principalmente em razão do imenso dano que as operações industriais do passado e do presente causaram à natureza e ao modo de vida de inúmeras comunidades – tradicionais ou não.

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De forma que o aprendizado pela experiência acaba por induzir uma forma de pensamento que talvez seja tão ultrapassada quanto o tipo de indústria que a fez nascer. Neste artigo, temos como objetivo esclarecer a relação – no mais das vezes benéfica e produtiva – entre o novo paradigma da indústria e a sustentabilidade.

Em primeiro lugar, é preciso entender o significado amplo do termo “sustentável”, já que para grande parte das pessoas, o termo se relaciona apenas ao meio ambiente. Nada mais distante da realidade. O desenvolvimento sustentável tem sim a ver com a preservação da natureza, mas em sua definição mais aceita, ele é simplesmente “o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro”. Compreendendo essa definição, podemos entender melhor a relação entre ela e a Indústria 4.0.

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Talvez, para melhor ilustrar, seja interessante recorrer a um “case” bastante atual: a Adidas, gigante alemã de produtos esportivos, anunciou recentemente a ampliação de seu modelo de fábrica chamado Speedfactory. O conceito usa aplicação prática iniciada com  primeira unidade Speedfactory em Ansbach, na Alemanha.  Ainda que em um primeiro momento o projeto produza em pequena escala – se comparado a outras operações da marca – a ideia é admirável. A planta é 100% robotizada em sua linha de produção, contando com apenas dez profissionais altamente qualificados na unidade Ansbach. Uma segunda planta, em Atlanta, EUA, deve iniciar as operações em 2017, produzindo no próximo ano 50 mil pares de tênis de corrida com o apoio de 160 profissionais.  Ainda que a produção seja pequena, se comparada aos 301 milhões de pares produzidos pela marca em 2015, espera-se que essas duas unidades da produzam cerca de meio milhão de pares em médio prazo.

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Se o modelo se provar vantajoso (e tudo indica que é o que irá acontecer, um grande salto terá sido dado rumo a um futuro sustentável). E esse salto tem como responsável o grande “vilão” do meio ambiente: a indústria. A redução de custos com mão de obra (que ajuda a eliminar problemas como o trabalho infantil e o trabalho escravo, principalmente no sudeste asiático), a proximidade entre unidade produtora e centros de abastecimento (que gera economia de combustível e poupa recursos em logística, principalmente em termos de distribuição e estoque) são, entre outras, vantagens para o entorno ambiental, e consequentemente para as pessoas e comunidades. Tudo graças à tecnologia aplicada à produção industrial: aproveitamento racional da energia, automação, redução de desperdício, tratamento e reaproveitamento de resíduos e capacitação de mão de obra altamente qualificada e bem treinada, entre outros.

Quando combinamos todas essas tendências de automação, estamos nos aproximando de um contexto ideal de convivência entre produção industrial e proteção ambiental.  É excelência e geração de lucro em duas frentes. Tecnologias como robótica, inteligência artificial, manufatura aditiva (impressão 3D), sensores (IoT), e treinamento de operadores visando melhoria disruptiva são ingredientes chave para beneficiar não somente produtores e consumidores, mas também significam ganhos “intangíveis” que impactam diretamente na questão ambiental. 

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Portanto, da próxima vez que você ouvir algo sobre o impacto negativo do novo paradigma industrial para o meio ambiente, ou que alguém lhe afirmar que desenvolvimento industrial não combina com sustentabilidade, pense bem: será mesmo que indústria e uso consciente de recursos são mesmo coisas opostas?

Quer saber mais sobre a indústria 4.0? Então veja também este artigo da Prodwin e como se preparar em: prodwin.com.br/blog.