Ao perguntarmos se as práticas e metodologias de Melhoria Contínua estão sendo descontinuadas o que você pensa? Parece até paradoxal questionar se “a Melhoria Contínua está sendo descontinuada”, não é mesmo?!

Isso ocorre pois dizer que algo está sendo descontinuado, é mais do que dizer que sua continuidade foi interrompida; praticamente, afirma que está sem futuro, saindo de linha e, portanto, parando de ser utilizado pra sempre. Como isso poderia estar ocorrendo com a Melhoria Contínua?! A Melhoria Contínua está mesmo sendo descontinuada?

Atualmente, visando atingir o padrão de excelência e alta performance imposto pela competitividade global, indústrias de vários países simultaneamente buscam aumentar a produtividade, a velocidade da entrega e a qualidade dos produtos através da otimização dos seus processos utilizando as ferramentas consagradas da Melhoria Continua que em resumo são aplicadas a fim de garantir satisfação do cliente, eliminação de perdas e aumento continuo da lucratividade.

Então, como poderíamos questionar a Melhoria Contínua e afirmar que a Melhoria Contínua está sendo descontinuada, será que ela é nociva ou desnecessária para as organizações? Que mal poderia ter o Kaizen ou outras metodologias que também buscam a Melhoria Contínua como TPM, Six Sigma ou Lean Manufacturing?

MELHORIA CONTÍNUA: LEAN MANUFACTURING, SIX SIGMA e TPM

O Lean Manufacturing ou Manufatura Enxuta, por exemplo, visa promover a cultura da Melhoria Contínua através da eliminação de desperdícios e constante aprimoramento na agregação de valor para o cliente nos processos de produção.

Contamos um pouco sobre a história do Lean no artigo anterior: POR QUE A “EXCELÊNCIA OPERACIONAL” É ESSENCIAL NA GESTÃO E NOS NEGÓCIOS? (E COMO ALCANÇÁ-LA?) Buscando a perfeição através da melhoria continua dos processos, o Lean, ou Sistema Toyota de Produção (TPS), aplica uma sistemática para identificar e eliminar desperdícios e atividades que não agregam valor, reduzindo custos, e garantindo a entrega no prazo correto. Que mal poderia haver nisso?  E pode-se dizer algo contra a utilização, por exemplo, da metodologia Six Sigma?

O Six Sigma busca reduzir as perdas por não-qualidade eliminando variações e aumentando o índice de capacidade dos processos em atender os requisitos do cliente.  Observaram que ao concatenar muitos processos que individualmente possuem um rendimento bom (Cpk de 1= 99,73%) no todo da organização os resultados são desastrosos. E ao melhorar a capacidade de cada processo para um Cpk de 1,5 é possível elevar o rendimento para 99,99966%. Um padrão de excelência que estatisticamente corresponderia a menos de 3,5 DPM (Defeitos Por Milhão).

Isso quer dizer que para cada um milhão de produtos fabricados, no máximo 3,4 apresentariam defeitos. Desta forma, garantimos índices baixíssimos de refugo e retrabalho, queda vertiginosa na reclamação dos clientes e, consequentemente, nos custos por não-qualidade. Como isso poderia fazer mal para as empresas?

Por sua vez, se analisarmos a metodologia TPM, ou Manutenção Produtiva Total, também podemos afirmar que objetivo final é atingir zero perdas. Práticas como a Manutenção Autônoma, a Melhoria Específica, a Melhoria Continua do OEE e o Treinamento Continuo dos responsáveis pela operação e manutenção dos equipamentos, tudo isso tem como meta produzir com excelência: sem acidentes, sem quebras e sem rejeitos.

Algo, que assim como o Six Sigma e o Lean Manufacturing, só é possível e sustentável através da Melhoria Contínua dos resultados. Ou seja, os benefícios propostos pela Melhoria Contínua são positivos mas de onde viria o questionamento sobre o “Descontinuidade da Melhoria Contínua”? A Melhoria Continua está apresentando algum problema? Ainda assim, melhorar continuamente é a solução ou realmente a Melhoria Continua deveria ser descontinuada?

A MELHORIA CONTINUA DEVERIA SER DESCONTINUADA?

Bom, um artigo publicado na Forbes, originalmente com o título Why Continuous Improvement May Need To Be Discontinued, não apenas diz que a “Melhoria Contínua deveria ser descontinuada, como evidencia os resultados negativos que os principais expoentes da prática estão colhendo no século XXI. Qual o Problema?

O artigo sugere que é hora de questionarmos os métodos consagrados da Melhoria Contínua, evidencia o problema apresentando fatos e dados sobre a queda da produtividade e qualidade da indústria japonesa o principal expoente e propagador da Melhoria Contínua: “Em 2012, as principais empresas de eletrônicos do Japão perderam US $ 17 bilhões superadas por concorrentes asiáticos. A indústria automobilística japonesa afetada por embaraços influenciados pela série de problemas de qualidade e perdeu participação de mercado para as empresas a partir do Sul Coréia e até mesmo (surpresa!) dos Estados Unidos”.

Além disso, renomados pensadores acreditam que a inovação muitas vezes é sufocadas pelos procedimentos engessados do sistema-de-controle-da-qualidade-total que aplicam o PDCA para garantir a Melhoria Continua. Podemos citar Vijay Govindarajan, consultor em inovação e duas vezes vencedor do prêmio de melhor artigo da Harvard Business Review, que afirma:


Quanto mais você forçar uma empresa no gerenciamento de qualidade total, mais vai prejudicar a inovação. A mentalidade que é necessária, as capacidades necessárias, as métricas necessárias, toda a cultura que é necessária para a inovação descontínua, são fundamentalmente diferentes”.

E o que seria a inovação descontinua e por que ela está transformando as práticas da Melhoria Continua? A inovação disruptiva ou descontinuada é melhoria que torna totalmente obsoleto as práticas atuais. Mas do que apenas explicar o conceito, daremos um exemplo prático através de uma fábula.

A FÁBULA DOS ‘PORCOS ASSADOS COM INCÊNDIO NA FLORESTA’.

Esta fábula narra que uma tribo que vivia na floresta tinha o hábito de caçar os porcos que viviam por perto, contudo, por mais estranho que pareça, as pessoas ali estavam acostumadas a comer os porcos crus. Só que durante um incêndio que teve na floresta e acabou matando alguns desses porcos no fogo, eles descobrem que porcos assados são muito mais saborosos e suculentos. Dali em diante, começam a incendiar a floresta para caçar e comer os porcos.

Acabam inclusive se tornando experts no processo de causar e controlar o incêndio de uma forma cada vez mais eficaz. Melhoravam inclusive esse processo continuamente com auxílio de especialistas em atear fogo em floresta, controladores de fogo, os que garantiam que o fogo atingiria a temperatura ideal para o processo de assar os porcos, além de uma equipe focada e competente em diminuir as perdas com os porcos que queimavam além do ponto. Melhoravam continuamente.

Mas, por que diminuir uma perda que nem deveria existir? Por que incendiar a floresta inteira, se fazer um churrasco é bem mais simples, mais seguro, mais eficaz e garante melhor qualidade na prática de assar os porcos selvagens?

MELHORIA DISRUPTIVA E INOVAÇÃO CONTÍNUA

Uma mentalidade baseada em dados pode incentivar os gerentes a ignorar a intuição. Ao gerenciar negócios por processos é preciso focar sempre no objetivo de realizar certo as ações mas, principalmente, deve-se atentar em realizar as ações certas. No mundo real, em constante mudança como o mercado ou ‘a expectativa do cliente’, flexibilidade e tomadas de decisão rápidas e criativas são essenciais.

Neste caso, o desafio da Melhoria Contínua de ‘hoje realizar melhor do que ontem’, não poderá ser um impeditivo para inovação ou mesmo pra criação do novos patamares de produtividade e eficiência energética onde excelência e alta performance realmente necessitam alcançar uma continua melhoria de resultados.


Acima de tudo, ao mapear um processo, é valido perguntar se este processo mapeado deve ser melhorado, eliminado ou interrompido. Muitos projetos de melhoria contínua focam tanto na obtenção de eficiências que não desafiam os pressupostos básicos do que está sendo feito. Personalizar como e onde a melhoria contínua é aplicada faz parte da definição básica da solução do problema.  Assim como entender que um tamanho e formato de melhoria contínua não se encaixa em todas as partes da organização. Por isso, avaliar o, observar as implicações culturais da melhoria contínua pode reduzir o impacto sobre a mudança cultural da empresa.

A dica principal é que a melhoria contínua não tem que ser incompatível com a inovação disruptiva. Contudo, a menos que pensemos em melhorias contínuas em formas que podem ser radicais e abrangentes mas também nuançadas e criativas, poderemos forçar as empresas a ter que escolher apenas uma entre as duas.

Deixe nos comentários suas opiniões sobre melhoria contínua e inovação disruptiva! Se o tema Melhoria Continua te interessa você vai gostar também de ler:

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