O termo Indústria 4.0 é usado desde 2011 para descrever a integração generalizada de tecnologia de informação e comunicação na fabricação industrial. Porém, não basta abordar os desenvolvimentos associados à quarta revolução industrial a partir apenas de uma perspectiva tecnológica – as empresas também precisam transformar a sua organização e cultura através de pessoas capacitadas para utilizar o máximo das ferramentas tecnológicas.

Embora as tecnologias avançadas tornem possível o acesso a uma gama de dados muito mais ampla, a capacidade de alavancar o potencial subjacente destes dados é diretamente dependente da estrutura organizacional e da cultura da empresa. O objetivo final é tornar-se uma empresa de aprendizagem ágil, capaz de adaptação contínua e rápida para um ambiente em mudança.

Assim começa o relatório de um estudo que a Academia Nacional de Ciência e Engenharia Alemã, a ACATECH, desenvolveu para definir os passos principais para uma fábrica alcançar a maturidade de Indústria 4.0, esse estudo ficou conhecido como INDUSTRIE 4.0 MATURITY INDEX.

Segundo a ACATECH, ser 4.0 é, principalmente, gerar conhecimento de dados para transformar a empresa em uma organização ágil, que aprende, e permita uma tomada de decisão rápida e uma flexível adaptação dos processos em todas as áreas de negócio. Abaixo descreveremos no detalhe os 6 passos principais para uma empresa atingir o patamar de indústria 4.0 conforme o índice de maturidade da indústria 4.0 divulgado no relatório de estudo da ACATECH:

  1. INFORMATIZAÇÃO:

“Eu acho que deve haver mercado no mundo para talvez cinco computadores.” Frase supostamente atribuída a Thomas J. Watson presidente da IBM.

A primeira fase do percurso de desenvolvimento é a informatização, uma vez que esta constitui a base para a digitalização. Podemos dizer que a informatização, em suma, poder ser entendida como a base para digitalização de objetos, processos e informações da indústria. Desta forma, tudo fica armazenado num banco de dados e acessível a todos, com devidas restrições de acessos aos dados mais estratégicos e confidenciais.

Nesta fase, as diferentes tecnologias da informação são utilizadas isoladamente entre si dentro da empresa. A informatização já está bem avançada na maioria das empresas e é usada principalmente para executar tarefas repetitivas de forma mais eficiente.

A informatização proporciona benefícios importantes por exemplo, possibilitando uma produção mais barata a normas mais elevadas e com um grau de precisão sem o qual seria impossível fazer muitos produtos modernos. Por sua vez, a conectividade será a protagonista e um dos principais requisitos para alcançar o passo número 2:

2 . CONECTIVIDADE:

 “Os dados são os ativos estratégicos das companhias por excelência.” Christian Gardiner.

Na fase de conectividade, a implantação isolada de tecnologia da informação é substituída por componentes conectados. As aplicações empresariais amplamente utilizadas estão todas ligadas umas às outras e espelham os processos empresariais principais da empresa.

Na era digital todos estão conectados por dispositivos eletrônicos e a interoperabilidade entre sistemas, áreas de negócio e fornecedores serão os principais benefícios desta etapa. Através da conectividade temos as informações necessárias em tempo real.

A vantagem de ter as informações precisas e acessíveis sobre o status de cada projeto e processos de uma empresa, começam a eliminar práticas obsoletas de operação e gestão trazendo a fábrica para o mundo pós moderno atual. A conectividade, portanto, aumenta competividade das indústrias.

Até por isso, este é somente o início da jornada para alcançar o estágio da Fábrica Digital, Inteligente e Sem Papel (paperless). Mais 4 etapas irão complementar essa evolução para o nível de Manufatura Avançada:

3.VISIBILIDADE

Visibilidade é bom para mostrar que nem todos são iguais.” Paulo de Tarso

Sensores elétricos permitem que os processos sejam capturados do início ao fim com um grande número de pontos de dados. Sensores gravam os eventos e o torna visível em tempo real em toda a companhia não apenas em áreas individuais, como era anteriormente. Isso torna possível manter um modelo digital atualizado de fábricas em todos os momentos.

Identificar, entender, analisar e correlacionar os dados e os fatores críticos que podem afetar negativamente os projetos e os processos.  Explico e simplifico: Pode ser através da Gestão a vista, com telas de TV diretamente no chão de fábrica evidenciando os principais indicadores e ocorrências do processo.

Mas aqui também vemos que a interface homem máquina tem evoluído para um patamar onde a própria analise e correlação de dados está cada vez mais automatizada, gerando insights que auxiliam o ganho de resultado.

  1. TRANSPARÊNCIA:

“Confie na minha transparência. Sou eternamente explícita.” Clarice Lispector

A fase três envolve a criação de uma transparência digital da situação atual da empresa. Como regra geral, Bancos de Dados na Nuvem (ou não) são implantados em paralelo aos sistemas de aplicativos de negócios, como sistemas ERP ou Sistema MES. Essa Big Data Industrial fornece uma plataforma comum que possa ser usada por exemplo para realizar a análise estatística extensiva dos dados a fim revelar interações na companhia. Conhecimento da real em tempo real facilitando a análise da causa-raiz e potenciais de melhoria, esse é o principal objetivo dessas fase.

Ou seja, validando a acuracidade dos dados e proporcionando acesso a informação a todos, o próximo passo são as ações de melhorias serem realizadas através dos Flash Meetings (reuniões rápidas voltadas para validar ações de contenções das perdas e validação do planejamento).

Além dos Flash Meetings para validação dos planos de ações e seus respectivos prazos e responsáveis, a transparência irá contribuir para as reuniões de apresentação dos resultados de cada projetos de melhoria.

  1. CAPACIDADE PREDITIVA

“Não prever, é já lamentar.” Leonardo Da Vinci

Construído sobre a fase de transparência, o próximo estágio de desenvolvimento é a capacidade preditiva. Uma vez que chegou a esta fase, a empresa é capaz de simular diferentes cenários futuros e identificar os mais prováveis. Isso envolve projetar a sombra digital no futuro, a fim de descrever uma variedade de cenários que podem ser avaliados em termos de como provável que eles estão a ocorrer.

Como resultado, as empresas são capazes de antecipar a evolução futura para que possam tomar decisões e implementar as medidas apropriadas em tempo oportuno. Antecipar problemas, comportamentos e projetar cenários. Técnicas de virtualização, e realidade ampliada, robotização e a complexa sensorização das máquinas para serem monitoradas quando e como quebram está cada vez mais em voga na indústria.

 Este estágio ainda demanda um alto investimento e são poucas que alcançaram mas mais que uma tendência já uma realidade. Máquinas capazes de através da análise de ruído, vibração e temperatura indicarem com precisão a previsibilidade da queda e em certa medida promovendo o auto reparo é a grande vantagem desse estágio.

Os papéis de ordem de serviço, check-list de preventivas e lubrificações ou mesmo os plano de controle de manutenção que demandavam altas quantidades de papel em breve serão descartados por serão inúteis.

  1. ADAPTABILIDADE:

“Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo…” Raul Seixas

Capacidade preditiva é uma exigência fundamental para ações e tomada de decisões automatizadas. A adaptação contínua permite que uma empresa delegar determinadas analises e decisões para que possa se adaptar a um ambiente de negócios em mudança tão rapidamente quanto possível.

O mundo ficou mais ágil e imprevisível. Decisões precisam ser tomadas com urgências as vezes sem a completa visão do cenário e dos impacto das ações. O nível máximo de maturidade 4.0 é atingido quando a tomada de decisão autônoma gera adaptação ágil ao ambiente e as demandas.

Com isso, máquinas estarão cada vez mais proporcionando analises complexas e correlacionadas com estudos estatísticos que facilitaram o trabalho de analistas e gestores? Máquinas inteligentes e capazes de aprender, serão as protagonista deste último estágio? Claro que não, são as pessoas e o conhecimento destas pessoas para lidar com toda essa (r)evolução tecnológica.

Falando especificamente da Industria 4.0 temos também os seguintes artigos:

 

O QUE É INDUSTRIA 4.0 E COMO SE PREPARAR?

SUA EMPRESA ESTÁ PRONTA PARA INDUSTRIA 4.0?

INDÚSTRIA 4.0: MENOS MÁQUINAS E MAIS SISTEMAS!

GESTÃO DE PESSOAS NA INDÚSTRIA 4.0